Quanto tempo dura uma psicoterapia? Entenda a duração do processo terapêutico

Não existe um prazo único para a psicoterapia. Entenda o que influencia a duração do tratamento e por que o tempo necessário varia em cada processo.

Vitória Dias — Psicóloga Clínica | CRP 13/13024

8/31/20263 min read

Quem começa uma psicoterapia costuma chegar às primeiras sessões com uma pergunta bem objetiva: quanto tempo isso vai durar?

É uma pergunta absolutamente compreensível. Existe investimento de tempo, frequência de encontros marcada na agenda e a expectativa — legítima — de que alguma coisa mude. O problema é transformar isso tudo em prazo fechado, tipo assinatura de streaming com data de renovação.

Há pessoas que procuram terapia depois de uma separação e, já nas primeiras semanas, percebem que voltaram a dormir direito, resgataram hobbies que tinham abandonado e conseguem falar do que aconteceu sem aquele nó na garganta de antes. Há quem chegue por uma ansiedade que estava sabotando o trabalho e sinta algum alívio logo de cara.

Essas mudanças importam, e muito. Mas elas escondem uma distinção que ajuda a pensar a duração de uma terapia: o tempo necessário para alguém se sentir melhor não é, necessariamente, o mesmo tempo de um processo terapêutico. São relógios diferentes.

Para quem ainda está antes dessa pergunta e quer entender como esse processo começa, em Primeira sessão de terapia: como funciona e o que esperar explico o que costuma acontecer nesse primeiro encontro.

Quando o motivo da procura muda de figura

Nem sempre aquilo que te levou à primeira sessão continua sendo o mesmo motivo lá na frente.

A separação que parecia ser o problema em si pode escancarar dificuldades que já rondavam outros relacionamentos, antes dela e sem que você percebesse. A ansiedade do trabalho pode continuar existindo, só que certas formas de cobrança começam a soar familiares em outros lugares da vida também. Quando a urgência dá uma trégua, outras perguntas finalmente encontram espaço para aparecer.

Isso não quer dizer que todo sofrimento esconda uma questão mais profunda que precisa obrigatoriamente ser desenterrada — essa seria uma leitura meio sensacionalista do processo. Quer dizer só que o próprio percurso vai mudando aquilo que a pessoa entende sobre o motivo que a trouxe até ali.

É por isso que duas pessoas que chegam com queixas parecidas não necessariamente vão ficar em terapia pelo mesmo tempo. Não tem fórmula mágica, nem prazo definido de antemão.

Na perspectiva psicanalítica, essa diferença importa bastante. O trabalho não se resume a aliviar um sintoma — embora esse alívio aconteça, sim, e tenha seu valor. Existe também a possibilidade de investigar por que certas formas de sofrer se constituíram daquele jeito e, principalmente, por que algumas situações insistem em se repetir mesmo depois que a gente já sabe exatamente o mal que elas fazem.

Saber que algo se repete e conseguir responder de outra forma são duas experiências bem diferentes. Entre uma e outra existe um trabalho de elaboração cujo tempo, convenhamos, ninguém sabe de antemão.

Então, quanto tempo é necessário?

Uma psicoterapia pode durar alguns meses ou se estender por bem mais tempo que isso. A duração depende das questões que o paciente traz, do que se pretende trabalhar e do próprio caminho que vai se construindo sessão após sessão. Não existe um número mágico de encontros que sirva igualmente para todo mundo — quem promete isso está vendendo outra coisa, não terapia.

O que também não significa que o processo deva se estender para o infinito.

Em algum momento, aquilo que motivou a procura para de ocupar o mesmo espaço de antes. Uma situação que parecia intransponível passa a ser vivida de outro jeito; certas repetições ficam reconhecíveis à distância; escolhas que antes pareciam acontecer no automático começam a admitir outras saídas.

O fim de uma psicoterapia não significa que todos os conflitos sumiram — a vida vai continuar gerando impasse, perda, mudança, dor, porque é disso que ela é feita. A questão real é outra: ainda é necessário atravessar tudo isso exatamente do mesmo jeito de antes?

E é exatamente por isso que a duração é tão difícil de prever: o que muda numa terapia não é o volume de problemas que a vida vai trazer, mas a posição de quem vai atravessá-los. E essa mudança não tem hora marcada para acontecer. Dá para saber quando uma psicoterapia começa — não dá para cravar, logo de cara, quando ela vai terminar.

Se a dúvida vier ainda antes disso, sobre existir ou não um momento certo para começar, o texto Como saber se preciso de terapia? Quando procurar um psicólogo parte justamente dessa questão.

Quanto tempo dura uma psicoterapia? Entenda a duração do processo terapêutico

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